sábado, 22 de maio de 2010

Dia da Biodiversidade e da Mata Atlântica




Brasil: Mega e diverso

Os 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil representam quase a metade da América do Sul, abrangem uma das maiores regiões tropicais costeiras do mundo, e seis biomas: florestas tropicais úmidas predominam nos biomas Amazônia e Mata Atlântica; floresta seca é a vegetação original na maioria do bioma Caatinga; savanas cobriam a maior parte do bioma Cerrado; as maiores áreas úmidas do mundo estão no bioma Pantanal; e pradarias predominam na região mais meridional do Brasil, no bioma Pampa. Em cada um desses biomas, o Brasil conta com índices recordes no número de espécies. Estima-se que mais de 20% das espécies do mundo ocorrem no Brasil.

Infelizmente, muitas das espécies nativas do Brasil estão ameaçadas pela expansão da agricultura e pastagens. Várias medidas foram tomadas para reduzir a taxa de perda de biodiversidade no país, inclusive uma expansão recorde do sistema de áreas protegidas pelo governo federal e governos estaduais, com apoio de ONGs, fundos e governos internacionais, como do governo da Alemanha. Os resultados podem ser vistos, por exemplo, na grande redução da taxa de desmatamento na Amazônia. No entanto, cerca de 190 milhões de pessoas buscam melhoria das condições socioeconômicas e o país enfrenta o desafio de promover o desenvolvimento, mantendo (e sabendo aproveitar) a imensa riqueza biológica e a riqueza associada a culturas e modos de vida tradicionais: a sociodiversidade.

As maiores taxas de desmatamento ocorrem na Amazônia e no Cerrado, onde o conflito entre desenvolvimento e conservação é mais sentido, e onde soluções criativas, que envolvem conhecimentos tradicionais e biodiversidade, são mais comuns. No entanto, a maioria dos brasileiros vive em áreas urbanas localizadas no bioma Mata Atlântica, onde restam apenas fragmentos ameaçados da floresta.

O Ano Internacional da Biodiversidade: muito a ser feito ainda

2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade e é também o ano em que vence uma das principais metas da Convenção da Diversidade Biológica, assinada na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), de reduzir, significativamente, a extinção das espécies. A mesma meta existe no âmbito dos Objetivos do Milênio. O Brasil fez, nos últimos anos, avanços significativos quanto à conservação da natureza, mas a perda da biodiversidade continua e essa riqueza continua pouco aproveitada pelo país. Este é o ano de fazer uma avaliação sobre o sucesso das políticas de conservação, uso sustentável e geração e distribuição dos benefícios da biodiversidade, no Brasil e no mundo, e educar a sociedade sobre o valor da biodiversidade.

sábado, 8 de maio de 2010

Viva a Mãe Natureza!!!!

Gaia


Mãe Natureza é uma representação da Natureza que trata da fertilidade, dos ciclos e do cultivo simbolizados na mãe. Imagens de uma mulher representativa da mãe terra, da mãe natureza, são atemporais.Na pré-história, as deusas eram adoradas pela associação com a fertilidade, fecundidade e generosidade. Sacerdotisas dominavam determinados aspectos do Império Inca, Assíria, Babilônia, Roma, Grécia, Índia e religiões anteriores às religiões patriarcais.

História
A palavra Natureza vem do latim natura significando nascimento. Em inglês, o primeiro registro de uso, no sentido de plenitude ou totalidade dos fenômenos do mundo, foi muito tardio e é datado de 1662; entretanto natura e a personificação da Mãe Natureza, foi extremamente popular na Idade Média e pode ter as raízes traçadas a partir da Grécia Antiga. Os filósofos pré-socráticos inventaram a natureza quando abstraíram a totalidade fenomênica do mundo em um único nome e trataram como um único objeto: physis.

A hipótese Gaia, também denominada como hipótese biogeoquímica. É hipótese controversa em ecologia profunda que propõe que a biosfera e os componentes físicos da Terra (atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera) são intimamente integrados de modo a formar um complexo sistema interagente que mantêm as condições climáticas e biogeoquímicas preferencialmente em homeostase.
Originalmente proposta pelo investigador britânico James E. Lovelock como hipótese de resposta da Terra, ela foi renomeada conforme sugestão de seu colega,William Golding, como Hipótese de Gaia, em referência a Deusa grega suprema da Terra – Gaia. A hipótese é frequentemente descrita como a Terra como um único organismo vivo. Lovelock e outros pesquisadores que apoiam a ideia atualmente consideram-a como uma teoria científica, não apenas uma hipótese, uma vez que ela passou pelos testes de previsão.O cientista britânico, juntamente com a bióloga estadunidense Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas.



domingo, 2 de maio de 2010

A fome de Marina


A FOME DE MARINA PorJosé Ribamar Bessa Freire*


Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.
Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana.
Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados.
De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.
A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.
A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?
O mapa da fome
A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.
Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.
A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.
Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT.
Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco, quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.
Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal.
Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.
Tudo vira bosta
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.
A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.
Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?
Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil…
Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.
Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.

(*) Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Libertas Quæ Sera Tamen


Liberdade ainda que tardia


Vinte um de Abril, nós brasileiros reverenciamos os mártires mineiros que derramaram seus sangues num sonho de liberdade e independência do Brasil. Homens que tiveram um ideal de liberdade por ver o país ser sugado por Portugal. Porem foram traídos por um de seus membros.

Certamente, esta é uma data histórica de um simbolismo de cidadania de grande proporção, pois, o sonho de liberdade deve ser uma busca constante de um povo, de uma sociedade. Enfim, de uma nação.

Evidentemente, a liberdade somente pode ser conquistada quando uma nação atinge total autonomia, respeito e soberania. Também atinge a liberdade quando não se deixa ser induzida a ceder pressão internacional assinando contratos e acordos internacionais unilaterais ou coletivos que o torna refém das grandes nações, mais ainda, o que de fato impede a liberdade de uma nação é sua subserviência aos paises ricos pelo endividamento financeiro.

Ainda é preciso dizer que a liberdade de uma nação somente é adquirida com o desenvolvimento de sua sociedade, e isto ocorre quando todo seu povo atinge a cidadania plena, isto é, adquire o direito de usufruir o que a Constituição Federal lhes garante como educação, saúde, moradia, segurança... Enquanto existir varias classes de cidadãos certamente esta liberdade tão sonhada ainda será uma utopia. É importante se ressaltar que todos os cidadãos pagam impostos independentes pobres e ricos, pois, em cada objeto comprado lá está uma proporção de impostos arrecadados que vão para os cofres públicos, sendo assim, todos devem usufruir e ter os direitos iguais sendo considerados cidadãos sem distinção.

Finalizando o sonho de liberdade deve ser sempre perseguido e jamais o cidadão pode conformar com a realidade que vive. No mundo político como em outros vários mundos sempre haverá interesse de nações, grupos de pessoas que na busca de seus objetivos e interesses coletivos ou pessoais não se importarão de tirar ou diminuir a liberdade de uma nação ou mesmo de seu próprio povo.

Ataíde Lemos

domingo, 18 de abril de 2010

E o Isidoro como fica?


Estão querendo acabar com o pouco que resta de nossas áreas verdes!!!



1. Origem:

Formado por propriedades particulares, por muito tempo o cinturão verde na divisa com o município de Santa Luzia ficou à mercê da ocupação irregular, sem qualquer intervenção do poder público. A implantação da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, a construção da Linha Verde, além da transformação do aeroporto de Confins em terminal industrial mudaram o perfil da região. De vazio circundado por bairros populares, como Ribeiro de Abreu, Tupi-Mirante e Zilah Spósito, sempre sob ameaça iminente de degradação ambiental, o Isidoro transformou-se em área cobiçada pelo mercado imobiliário. O motivo? A região está no Vetor Norte, novo eixo de desenvolvimento da região metropolitana.

A última fronteira verde de Belo Horizonte está prestes a perder um pouco de sua cor e ganhar toneladas de concreto. Cortada pelo Ribeirão Isidoro, integrante da Bacia do Rio das Velhas, a imensidão de mata na Região Norte da capital deve receber em breve 300 mil habitantes. Para efeitos comparativos, o contingente supera a população de Uberaba, no Triângulo. A Prefeitura de BH pretende transformar o território, conhecido como Isidoro ou Granja Werneck, derradeira grande área não ocupada da cidade, na 10ª regional de BH, abrindo as portas para a construção de 72 mil apartamentos, shopping center, hipermercado, escolas, postos de saúde, entre outras estruturas. A proposta altera padrões de urbanização de 10 quilômetros quadrados, dimensão superior à da Avenida do Contorno, que tem 8,9. Também mexe no berço onde tributários límpidos do Velhas e da Bacia do Rio São Francisco repousam, em meio à selva de pedra chamada BH.

A proposta da Prefeitura de Belo Horizonte leva em conta a nova realidade da área verde e põe toda a extensão sob o rótulo de operação urbana consorciada. Sob os termos de uma lei especial, o poder público coordenará, com a participação dos empreendedores, medidas para melhorar a infraestrutura, serviços básicos e a preservação ambiental. Em outras palavras, a prefeitura muda os parâmetros de ocupação: o Isidoro deixa de receber casas, em terrenos de até mil metros quadrados, para abrigar prédios em áreas de 5 mil metros quadrados. Já os proprietários se comprometem a dotar a área de infraestrutura e equipamentos públicos, num investimento total de R$ 1,07 bilhão.

Com as mudanças, a permissão para construir salta de 16,3 mil para 72 mil unidades habitacionais. Fala-se até no surgimento de um novo Belvedere III, em referência ao bairro da Região Centro-Sul que reúne edifícios de alto luxo. Os empreendedores serão obrigados a instalar 14 centros de saúde, 16 unidades de educação infantil, 21 escolas de ensino fundamental e oito do ensino médio, dois centros profissionalizantes, 17 terminais de ônibus, um de integração de transporte, dois auditórios, além da sede da administração regional, estrutura que atenderá uma população de 300 mil pessoas.

A história da Granja Werneck começou no início do século 20, quando o médico carioca Hugo Werneck veio do Rio de Janeiro para morar em BH, a fim de se tratar de tuberculose. Antes disso, seu pai, que foi médico da princesa Isabel, enviara o jovem para a localidade de Arosa, perto de Davos, na Suíça, com a mesma finalidade. “Quando ele voltou, disseram que a nova capital de Minas tinha ótimo clima e podia fazer muito bem à sua saúde”, conta o neto Fernando Vianna Werneck.


Mas o destino reservava boas surpresas para o jovem médico, que foi um dos fundadores da Escola de Medicina, da Santa Casa, dos hospitais Madre Tereza e São Lucas. Belo Horizonte, explica Fernando, dispunha apenas de um posto de saúde. Um dia, estando lá, Hugo Werneck socorreu uma parturiente, que apresentava complicações, e conseguiu salvar a mãe e a criança. A partir desse episódio, voltou a clinicar, pois sua fama de bom médico correu longe. Animado, acabou comprando o terreno de então 638 hectares, que apresentava a média anual climática semelhante à de Arosa. E, curiosamente, não morreu de tuberculose, mas de câncer, aos 57 anos.


Em 1928, Hugo Werneck inaugurou um sanatório para tuberculosos, que foi erguido com seus próprios recursos. Alguns o criticaram. Ele respondeu que ‘uns plantam couve e outros plantam carvalho'. Na década de 1970, o prédio de mais de 8 mil metros quadrados, que fica numa área de 250 mil metros quadrados, se tornou o Recanto Nossa Senhora da Boa Viagem, vinculado à Fundação de Obras Sociais da Paróquia da Boa Viagem. Nessa instituição de longa permanência vivem atualmente 75 idosos, que recebem tratamento psicológico e acompanhamento médico e de enfermagem.

O lugar tinha tudo para ser um belo mirante, não fosse o lixo espalhado e o cheiro de bichos mortos. Um dos pontos mais altos do Bairro Tupi, na Região Norte de Belo Horizonte, tem uma vista de quase 360 graus, permitindo enxergar parte de prédios da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, o trânsito frenético da Avenida Cristiano Machado e até o casario e as torres da igreja matriz do município vizinho de Santa Luzia. Mas o que domina mesmo a paisagem é a exuberância da Granja Werneck, com seus 400 hectares, área equivalente a 70% do perímetro da Avenida do Contorno, na capital. A região é propriedade das mais relevantes da Região do Isidoro ou Granja Werneck, que está perto de se transformar na 10ª regional de BH.

2. Futuro desenvolvimento e infra-estrutura:

Faz parte do acordo o empréstimo de 3 mil unidades habitacionais à prefeitura, durante a Copa do Mundo de 2014, para abrigar uma Vila Olímpica. Um décimo das construções também será destinado ao programa de habitação do governo federal Minha casa, minha vida. O sistema viário terá investimento de R$ 573 milhões, facilitando a circulação na região, cujos principais acessos são a Avenida Cristiano Machado e a MG-020. A Via 540, com 6,7 quilômetros, ligará os dois corredores viários. Já a Via Norte-Sul cortará a região, ligando a Via 540 aos bairros Jaqueline e Marize .

Outra condição é a implantação de dois parques. O Leste terá 2,3 milhões de metros quadrados, tornando-se o segundo maior de BH, atrás apenas do Parque das Mangabeiras, com 2,45 milhões de metros quadrados. Já o Oeste terá 500 mil metros quadrados, mais que o dobro da área do Parque Municipal. A proteção ambiental também está garantida em reservas particulares abertas ao público.


A proposta mantém 44% da área totalmente preservada. A proposta possibilita que haja a verticalização das construções para aumentar a permeabilidade do terreno. Em vez de construir muitas casas, passa-se a construir menos prédios. Esta é a última área vazia, sem prédios, de Belo Horizonte e também das últimas com grande cobertura vegetal. A capital está totalmente construída, sobrando apenas 4% de áreas desocupadas. A Granja Werneck e demais regiões do Ribeirão Isidoro representam 90% dessas áreas que restam. O Córrego dos Macacos é considerado o último curso d’água limpo de BH.

Em toda a Bacia Hidrográfica do Isidoro, principal contribuinte do Ribeirão do Onça, importante afluente da Bacia do Rio das Velhas, são 64 córregos e 280 nascentes, sendo 66 drenadas ou aterradas. A área da bacia corresponde a cerca de 20% de BH e está situada, em grande parte, na Região do Isidoro.

O Projeto Manuelzão, da Faculdade de Medicina da UFMG, que trabalha pela revitalização da Bacia do Rio das Velhas, afirma que o projeto de urbanização traz muita dor de cabeça. “A região já tem um grande passivo ambiental, com muito esgoto clandestino lançado diretamente nos córregos, fora os problemas sociais de habitação e violência. Qualquer outro empreendimento seria extremamente trágico e agravaria esses passivos."


Para o coordenador-geral do Manuelzão, o médico Apolo Heringer Lisboa, diante da Região do Isidoro está a oportunidade de a prefeitura aplicar toda a experiência acumulada no que diz respeito a bacias hidrográficas e sistemas de drenagem. “A prefeitura tem que ter uma nova postura. Já era para ter aprendido a incorporar os rios e córregos à vida urbana, implantando parques lineares nas margens dos cursos d’águas e transformando-as em grandes corredores ecológicos”, diz

domingo, 11 de abril de 2010

Alerta dos rios

Uma nova pesquisa alerta: o nível de água dos grandes rios no Planeta está abaixando.


Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco.

Segundo a pesquisa, no caso do São Francisco, as razões principais da perda estão no menor volume de água em chuvas e no calor mais intenso, que aumenta o nível de evaporação. Agora mesmo está prevista uma redução das próximas chuvas em vários Estados do Semi-Árido. E outros estudos têm mostrado que outra razão forte das perdas no rio está na diminuição da água despejada pelos afluentes da região do Cerrado.

Estimativas do Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, dizem que o desmatamento no Cerrado já reduziu para metade o volume de água estocado no subsolo do Cerrado, onde nascem 14 por cento das águas de bacias brasileiras. A do São Francisco é uma delas, pois está no Cerrado grande parte de seus 168 afluentes.

Mas não é só no São Francisco. A bacia amazônica - diz o estudo norte-americano - também perdeu no período 3,1 por cento de suas águas. Já a bacia do Paraná teve aumento de 60 por cento. Mas outros estudos brasileiros apontam que nos anos mais recentes começou a haver queda na bacia do Paraná, provavelmente por causa da redução dos gelos nos Andes, de onde vem parte de suas águas.

Seja como for, o Brasil precisa ter políticas adequadas para que esse processo de perda de águas não vá adiante. E o caminho principal está na eliminação do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco. Foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Participou das discussões para a Agenda 21 brasileira. Dirigiu vários documentários, entre eles a série famosa "Xingu" e, mais recentemente, "Primeiro Mundo é Aqui", que destaca a importância dos corredores ecológicos no Brasil.

Fonte: Repórter Eco TV Cultura

domingo, 4 de abril de 2010

Luto




“Achas que os cães não vão para o Céu? Pois digo-te que vão, e que chegam lá muito antes de qualquer um de nós!” – Robert Louis Stevenson

“Um cão nunca é verdadeiramente esquecido até deixar de ser lembrado.” – Lacie Petitto

In memorian Pretinha