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domingo, 14 de março de 2010

Ecologia Social




A ecologia social não quer apenas o meio ambiente. Quer o ambiente inteiro. Insere o ser humano e a sociedade dentro da natureza. Preocupa-se não apenas com o embelezamento da cidade, com melhores avenidas, com praças ou praias mais atrativas. Mas prioriza o saneamento básico, uma boa rede escolar e um serviço de saúde decente. A injustiça social significa uma violência contra o ser mais complexo e singular da criação que é o ser humano, homem e mulher. Ele é parte e parcela da natureza.

A ecologia social propugna por um desenvolvimento sustentável. É aquele em que se atende às carências básicas dos seres humanos hoje sem sacrificar o capital natural da Terra e se considera também as necessidades das gerações futuras que têm direito à sua satisfação e de herdarem uma Terra habitável com relações humanas minimamente justas.

Mas o tipo de sociedade construída nos últimos 400 anos impede que se realize um desenvolvimento sustentável. É energívora, montou um modelo de desenvolvimento que pratica sistematicamente a pilhagem dos recursos da Terra e explora a força de trabalho.

No imaginário dos pais fundadores da sociedade moderna, o desenvolvimento se movia dentro de dois infinitos: o infinito dos recursos naturais e o infinito do desenvolvimento rumo ao futuro. Esta pressuposição se revelou ilusória. Os recursos não são infinitos. A maioria está se acabando, principalmente a água potável e os combustíveis fósseis. E o tipo de desenvolvimento linear e crescente para o futuro não é universalizável. Não é, portanto, infinito. Se as famílias chinesas quisessem ter os automóveis que as famílias americanas têm, a China viraria um imenso estacionamento. Não haveria combustível suficiente e ninguém se moveria.

Carecemos de uma sociedade sustentável que encontra para si o desenvolvimento viável para as necessidades de todos. O bem-estar não pode ser apenas social, mas tem de ser também sociocósmico. Ele tem que atender aos demais seres da natureza, como as águas, as plantas, os animais, os microorganismo, pois todos juntos constituem a comunidade planetária, na qual estamos inseridos, e sem os quais nós mesmos não viveríamos.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ecologia Humana



O conceito de ecologia humana aborda o estudo da relação do ser humano com o seu ambiente natural. Passa por esta abordagem uma análise interessante da relação do homem com o ambiente que habita ao longo da história da humanidade. Desde os primórdios a idéia sempre foi desbravar, desmatar, domesticar os animais, estruturar o convívio social entre as pessoas, enfim transformar e adaptar os ambientes para suas necessidades.
Examinando o homem evoluído, encontramos um ser dominador que estabeleceu tal forma de controle do ambiente que, muitas vezes, deixa a margem questões éticas fundamentais para o futuro de nossa espécie. A ecologia humana pressupõe a compreensão integrada do homem com o meio ambiente, que obviamente inclui seus semelhantes, além dele mesmo.

Parece ser incoerente alguém se engajar em movimentos para salvar o planeta, sem estar preocupado em cuidar de suas próprias necessidades físicas, emocionais e culturais, assim como das pessoas que fazem parte de seu convívio. Norteado por este conjunto de princípios, ao ir a praia, você deve ter o cuidado de recolher o lixo que você gerou, demonstrando assim cuidados com o meio ambiente e com o bem estar das outras pessoas.

A ecologia humana considera que enquanto uma pessoa não for capaz de cuidar de cada metro quadrado de onde vive, dificilmente poderá participar de maneira consistente da preservação da vida e do meio ambiente de forma mais abrangente. E a base para tal é o desenvolvimento da ética individual que culminará com um sistema ético global.

Considero que uma boa maneira de exercitar esta questão é tentar responder perguntas muito simples, tais quais: Como venho me tratando? Como tenho tratado as pessoas com as quais convivo? O que tenho feito pela minha felicidade e pela felicidade dos outros? Quais são os meus projetos de vida a médio e longo prazos? Mais do que avaliar o grau de adesão a ecologia humana isto te ajudará a encontrar respostas que permitirão atingir maior grau de felicidade.

Consistentemente ouço falar de ecologia como algo que é para os outros, ou para instituições e talvez este seja o maior problema do ser humano. Todos temos que buscar entender como nós mesmos estamos inseridos nestas questões. O simples ato de poupar energia, água e outros recursos escassos não garante o futuro da humanidade, há que se inserir ai profundas questões sociais.

As pessoas esquecem que o mundo se globalizou de maneira tal que tudo se move muito rapidamente, independentemente de distancias. Haja vista a recente pandemia do vírus da Influenza A. O mundo não se globalizou apenas na economia, mas também nas doenças, na violência, nas catástrofes e em muitas outras coisas ruins. Urge às pessoas tomarem consciência de seu papel como seres humanos e desenvolver maior auto-estima, que para mim, é o sistema imunológico da espécie.

Como se vê a ecologia humana inter-relaciona múltiplas disciplinas e se baseia em princípios metafísicos, por isso se propõe a restabelecer a harmonia entre o homem e o meio ambiente e entre o homem e o homem, de maneira a ajudá-lo a encontrar o equilíbrio na temerária exploração dos recursos naturais e das relações humanas. É necessário ao homem resgatar a visão de si mesmo e da natureza, de maneira a se inserir em um sistema equilibrado que permita a ambos sobreviverem.

Norteado por estes propósitos, a humanidade deve almejar uma vida naturalmente saudável e vivida com inteligência e simplicidade. Isto implica em profundas mudanças de hábito e comportamento, como a busca por alimentação equilibrada, saúde consciente, educação de qualidade, acesso a informação seletiva, condições adequadas de moradia, e principalmente viver de maneira harmônica e respeitosa com os seus semelhantes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Corredores Biológicos



Corredor biológico pode ser conceituado como uma parcela de ecossistemas naturais que fazem a ligação entre as unidades de conservação tanto públicas quanto particulares, que permite uma maior oxigenação genética, possibilitando a manutenção da biodiversidade com seus processos evolutivos.

Os corredores biológicos podem ser implementados em qualquer tipo de bioma ou ecossistema, mas é para a proteção das florestas tropicais que foi praticamente criado e desenvolvido.

Objetivos principais:

- a conservação in situ da biodiversidade de determinada área natural, através da integração das unidades de conservação;

- implementação de unidades modelos em áreas de alta prioridade de biodiversidade;

- incentivar a expansão de RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e preservar grandes blocos de florestas através da integração das populações envolvidas.

Em termos de direito ambiental um corredor ecológico pode ser considerado como uma forma administrativa de preservação ambiental, fazendo parte do sistema nacional de proteção ao meio ambiente.

O Brasil é possuidor de cerca de 1/3 do remanescente das florestas tropicais do planeta, encontra-se privilegiadamente na posição de país de maior diversidade biológica do mundo, graças evidentemente as suas florestas, pois estes ecossistemas são reconhecidos como de grande biodiversidade. Um grande percentual dos animais como mamíferos, aves e répteis, bem como plantas estão na região florestal brasileira. Só na Floresta Atlântica encontramos mais de 73 espécies de mamíferos, 160 de aves, 128 espécies de anfíbios e cerca de 20.000 espécies de plantas, o que a torna uma das mais exuberantes e importantes florestas do globo.

Na região amazônica a atividade agrícola e a exploração da madeira vêm trazendo grande impacto ambiental, com perdas atuais por volta de 14 mil km2 de sua área verde, perdendo já cerca de 8% da área total da floresta; além disso, as queimadas vêm contribuindo com 10% das emissões mundiais de gás carbônico. Há, ainda, desperdício de madeira pois aproveita-se apenas parte desta, além da erosão dos rios pelo desmatamento.

A situação está caminhando para um futuro caos ambiental, pois as unidades de conservação estão praticamente no papel e a filosofia preservacionista era até pouco tempo no sentido de apenas delimitar áreas de preservação, sem nenhuma atuação protetiva adicional.

O entendimento de que a opção pela formação de ilhas biológicas é a melhor está mudando, entendendo-se agora que para a manutenção da biodiversidade é necessário manter estas ilhas interligadas, pelo que se denomina corredor biológico.

Uma das maiores dificuldades, enfrentadas pelas atuais unidades de conservação, é o seu crescente isolamento de outras áreas naturais. Por isso, já que a conservação da biodiversidade requer não somente a preservação de espécies, mas também a diversidade genética delas, é essencial proteger múltiplas populações da mesma espécie.

Além disso, populações isoladas são mais vulneráveis a eventos demográficos e ambientais aleatórios, tomando-as mais suscetíveis à extinção local.

O planejamento em conservação deve deixar de considerar áreas únicas, e sim estruturas de rede, levando em consideração a dinâmica da paisagem e o inter-relacionamento necessário entre áreas protegidas. A aplicação de modelos biogeográficos deixa clara a necessidade da preservação de extensas áreas, de modo a tornar o sistema ecologicamente viável.

Uma maneira de conservar a biodiversidade é montar projetos que tem como objetivos a conservação in situ da biodiversidade das florestas tropicais, através da integração das unidades de consevação; implementação de unidades modelos em áreas de alta prioridade de biodiversidade; incentivar a expansão de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) e preservar grandes blocos de florestas através da integração das populações envolvidas.

Portanto, a formação de corredores biológicos é de suma importância na tentativa de preservação ambiental, sendo uma forma moderna e que traz esperança na luta pela melhor qualidade ecológica de nossas florestas e conseqüentemente de preservação da nossa riquíssima biodiversidade.